sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Meu posicionamento pessoal a respeito de uma intervenção militar

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Há alguns meses tenho contido meu desejo de levantar a bandeira: “Constituinte sob proteção das Forças Armadas”, para evitar possíveis danos políticos ao meu Partido. Há alguns dias, contudo, divulguei a declaração do general Mourão, e manifestei meu apoio, de forma que se tornou necessário entrar de vez no assunto. Desde já fica claro que minha opinião é diametralmente oposta à de quase todos os militantes do Partido Comunista.

Para entender meu posicionamento é necessário entender minha análise da atual realidade, destacadamente para 5 pontos:

1 – a sexta República entrou em sua crise terminal desde 2013, e salvá-la, se não é impossível, é quase, e seria necessário reformá-la tanto que já não seria a sexta República.

2 – a sétima República não será socialista, porque o proletariado está completamente desorganizado, não manda nem nos próprios Sindicatos, portanto não tem como mandar no país.

3 – a crise da sexta República está custando muito caro ao país, e é bom que ela se acelere, mas a incapacidade dos poderes públicos para resolverem os problemas é manifesta.

4 – as Forças Armadas não têm condições, nem planos, de permanecerem no poder. Mas certamente são as únicas forças preparadas para manterem a unidade nacional durante a crise de transição de regimes políticos.

5 – “Os homens fazem a história, mas não a fazem segundo sua livre vontade”, e a sétima República não será o que um general quiser, mas o que quiser a opinião publica.

Desde 2013, como se nota em vários artigos do São João Del Pueblo e do Estudos Vermelhos, percebi que se iniciara a fase final da sexta República. De lá para cá vários analistas têm chegado à mesma conclusão, na medida em que os sintomas se tornam suficientes para a percepção deles. A completa incapacidade dos legisladores para fazerem qualquer reforma significativa, mesmo quando a direita tem mais de 70% do Congresso Nacional, e aprova até PECs absurdas, medidas impopulares e inúteis, prejudiciais mesmo ao país, é impressionante! Essa incapacidade agrava a crise política.

Infelizmente, não ganharemos o socialismo como pagamento por sofrer essa crise. Não é que o capitalismo no Brasil não esteja suficientemente desenvolvido, nem que existam reformas democráticas ou nacionalistas a serem feitas previamente. Até existem muitas reformas democráticas e nacionalistas a serem feitas, mas elas tendem a se confundir com a Revolução socialista, quando chegar a hora. O problema é menos glorioso – o proletariado está completamente desorganizado e despolitizado, por culpa, é claro, das “vanguardas”, que não o são, por incapacidade. Essas pretensas vanguardas culpam a conjuntura, a queda da URSS (que aconteceu no século passado), o desemprego etc., por sua incapacidade de lidar com esses problemas, ou mesmo por sua inatividade, por sua preguiça, por seu comodismo, e em casos piores, por terem se corrompido e serem mesmo a raiz da desorganização do proletariado, na medida em que parasitaram seus sindicatos.

Contudo, como também é público, a crise política está custando caro à nação, pois os bandidos que estão agarrados ao poder para não perderem o fórum privilegiado, estão de pernas abertas para as potências estrangeiras, onde podem inclusive vir a pedir asilo. Que essa crise demore muito a se resolver, que avance lentamente, só interessa a quem está com medo da justiça comum.

O que podemos ter? A solução da crise pela reforma das partes políticas da Constituição, ou seja, pela reforma do designer do poder. Será um poder proletário, socialista? Não, pelos motivos acima indicados. O que será? Será o que na opinião pública for mais forte.

Os generais podem derrubar a sexta República, que vai cair mesmo ou dessa forma ou de outra, mas não podem impor o que será a sétima República. Ninguém pode! Quando cai um regime e se inicia outro, não são os algozes do regime caído que decidem o que será o próximo, quase nunca. Sempre se inicia uma fase, de alguns anos, de profundos debates políticos, e então se desenvolve a força política/social que realmente forja o novo regime. Então para que esperar? Para que a nação deve sofrer mais alguns anos de decadência desse regime fracassado? A nação terá mesmo que passar pela fase de mudança de regime, então que comece logo!

As críticas ao meu apoio ao general Mourão foram todas no sentido de que em 1964 os militares se apegaram ao poder, apesar de terem dito que não o fariam. E eu acredito em discursos? Eu estaria chegando a minhas conclusões pelo conteúdo do que disse esse ou aquele general? Em 1964 só um completo idiota acreditaria que os militares não queriam o poder, visto que eles vinham tentando – deram um golpe em Getúlio em 1945; deram outro, que o levou à morte, em 1954; tentaram um golpe em 1955 contra JK; tentaram outro golpe em 1962 contra Jango e finalmente conseguiram em 1964. Mais ainda, eles tinham projetos para o país, que justificavam manter o poder, e hoje eles não têm projetos.

Muitas das críticas são sobre o que foi a ditadura militar, sobre suas atrocidades. Sim, a ditadura cometeu atrocidades, completamente inúteis, e foi um dos motivos pelos quais fracassou. É mentira que a ditadura só matou guerrilheiros. A ditadura matou gente pacata, intelectuais, desde o primeiro dia. Mas o que isso tem a ver com 2017? Os militarem que hoje servem, os que hoje já estão se aposentando, ainda não eram militares quando a ditadura acabou. Eles não tem nada a ver com o que aconteceu entre 1964 e 1985.

Em 2017 a situação é completamente diferente, no Brasil e no mundo! Digam o que disserem os generais, mas se eles derrubarem a “ladrocracia” precisarão de uma nova Constituição, e cada artigo dessa nova Constituição será discutido na Internet.

Suponhamos que eu esteja errado e eles queiram ficar no poder, e tentem impor uma Constituição menos democrática que a atual. Ai eles fracassarão, e depois que caírem teremos uma Constituinte da era da Internet. Observa-se esse fenômeno na história do Brasil e do mundo – Constituições que duram poucos anos, porque não correspondem aos ditames da opinião pública da época. Acontecem exatamente em períodos de transição.

O que os comunistas devem fazer em caso de golpe militar? Devem preservar seus militantes, em alguns casos retirando-os do país; Devem organizar a resistência, se ela for necessária, de fora do país; Devem evitar confrontos armados, e devem lutar por cada vírgula de cada artigo da nova Constituição de que o país precisa.


Se os comunistas devem fazer oposição ou não ao regime que se instalar? Depende do que esse regime fizer.


sábado, 19 de agosto de 2017

Marxismo é a solução contra terrorismo na Europa

Manifestação do Partido Comunista da Palestina | Arung Blantr‏  
Não são imigrantes a maioria dos terroristas que têm feito os múltiplos ataques em vários países da Europa. A imprensa “ocidental” tem usado para o ataque de Barcelona, de 17 de Agosto, o termo “origem marroquina”, que é uma forma de não informar que se trata de espanhóis quase todos, e absolutamente todos muito jovens. Quando são ataques na França a imprensa usa “origem argelina”. Se no grupo existe um que realmente é imigrante, o destaque todo se volta para ele. É como se no Brasil para esconder alguma coisa, ao invés de afirmarmos que um Maluf é brasileiro disséssemos que ele é um homem de “origem árabe”, ou que a Dilma é uma senhora de “origem húngara”. Claro, não podemos esquecer que se a Espanha tem tantos descendentes de marroquinos e a França de argelinos devem isso ao seu colonialismo. Contudo, isso agora é só um detalhe, pois agora trata-se de um problema interno europeu.

domingo, 23 de julho de 2017

Marx e a robótica - Capitalismo fracassando confessamente

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Marx disse que um modo de produção só é substituído por outro quando deu tudo o que tinha para dar, permitiu o desenvolvimento das forças produtivas tudo o que pode, e se estagnou, ou mais precisamente, começou a conter as forças produtivas. Por esse ponto de vista, de Marx, todas as revoluções socialistas do século XX estavam destinadas à derrota por serem adiantadas em excesso. O capitalismo ainda permitiu uma terceira revolução industrial - o tempo dos computadores e do inicio da robótica.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Por que o parlamentarismo?

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O novo presidente do PSDb declarou defender o parlamentarismo, no que repetiu uma declaração do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, semanas atrás, quando negou seu apoio à revogabilidade dos mandatos executivos por plebiscito popular. Logo surgiram na internet, em grupos que se autodefinem de esquerda, comentários contrários ao parlamentarismo, encaixando-o em uma narrativa fantástica do golpe parlamentar de 2016. Opera-se assim uma inversão – a “direita” defende o parlamentarismo, e certa “esquerda” defende o presidencialismo, muito embora essa escolha em si seja o inverso do que os termos significavam quando surgiram no século XVIII, pois nada mais parecido com a monarquia que o presidencialismo.

Segundo os “gênios” de nossa tão bem sucedida esquerda o parlamentarismo seria conservador, ou seja, o presidencialismo permitiria mais avanços sociais que o parlamentarismo!?!? Melhor nem comparar o IDH ou outro indicativo social qualquer que se queira dos países parlamentaristas e dos presidencialistas, porque afinal, apesar da vitória parlamentarista ser esmagadora, não existem modelos.

terça-feira, 21 de março de 2017

Teorias da conspiração, lógica formal e a cultura da corrupção

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Nikolai Sarikov, em um artigo sobre a mídia ocidental, afirma que as populações do “ocidente” são mantidas na infantilidade. É só como se pode explicar as versões novelescas e conspirativas que agora pululam na internet.  Se um escândalo de corrupção cria problemas para  os exportadores de carne brasileiros, então isso já estaria planejado! O mesmo vale para as empreiteiras, e valeria até para a Petrobrás, que na verdade nunca foi afetada, a despeito das mentiras primeiro dos coxinhas, e agora dos petistas. Seria tudo parte de um grande plano! Que pessoas que pouco militaram caiam em estorinhas novelescas é triste mas compreensível, mas velhos militantes sabem que nada nunca sai como os planos! Ou como bem dizia Carl von Carsewitz, o mais genial dos planos não resiste ao mais mínimo contato com o inimigo. Decorar essa frase é fácil, compreendê-la é amadurecimento.

Não se pode esperar mais que lógica formal de teorias da conspiração e estorinhas maniqueístas. Por exemplo, ou bem o combate à corrupção é certo, ou é um ataque imperialista e uma manipulação.  O mundo real é mais complexo! O Brasil vive uma crise política, moral, cultural etc. profunda, correspondente à próxima (agüenta uma década?) queda do regime de 1988. A corrupção é endêmica, insuportável, já paralisou o país muito antes das prisões começarem. Os escândalos de corrupção não crescem porque alguém deseje, ou porque presidente tal ou tal liberou a Polícia Federal, mas porque a corrupção é generalizada e crescente, assim como a indignação popular. Qualquer cidadão pode fazer denúncias, anônimas, pela internet, ao Ministério Público Federal, e se o assunto for da alçada federal a PF investigará, por norma. Como a corrupção é muita, as denúncias são muitas e uma ou outra a PF pega. Não é conspiração, é podridão!