![]() |
Manifestação do Partido Comunista da Palestina | Arung Blantr |
Não são imigrantes a maioria dos terroristas que têm feito
os múltiplos ataques em vários países da Europa. A imprensa “ocidental” tem
usado para o ataque de Barcelona, de 17 de Agosto, o termo “origem marroquina”,
que é uma forma de não informar que se trata de espanhóis quase todos, e
absolutamente todos muito jovens. Quando são ataques na França a imprensa usa
“origem argelina”. Se no grupo existe um que realmente é imigrante, o destaque
todo se volta para ele. É como se no Brasil para esconder alguma coisa, ao
invés de afirmarmos que um Maluf é brasileiro disséssemos que ele é um homem de
“origem árabe”, ou que a Dilma é uma senhora de “origem húngara”. Claro, não
podemos esquecer que se a Espanha tem tantos descendentes de marroquinos e a
França de argelinos devem isso ao seu colonialismo. Contudo, isso agora é só um
detalhe, pois agora trata-se de um problema interno europeu.
O terrorismo tem sido praticado por jovens europeus, das
classes mais exploradas que existem na Europa, filhos de imigrantes ilegais. O
imigrante ilegal é a mão-de-obra mais barata da Europa, pois não pode se
sindicalizar, não pode reclamar muito sob pena de deportação. Os capitalistas
da Europa gostam mais ainda dos imigrantes, sobretudo ilegais, porque são
excluídos da cultura européia, empurrados para bairros periféricos, e daí se
aferram a suas religiões e costumes. Portanto, não se tornam marxistas, não
buscam uma saída científica (daí eficiente) para sua situação. Como esse
processo já tem décadas, quase todas as grandes cidades da Europa têm hoje
bairros periféricos de cultura árabe.
A situação concreta de opressão e pobreza (que sempre é
relativa) leva os jovens nascidos nessas periferias pobres à rebeldia, mas sem
um arsenal científico, usam o que têm, que é a religião. O resultado é o que
vemos, táticas tão irracionais quanto as religiões - o terrorismo! Lênin, em um
livro chamado “Que Fazer?”, explicou
já em 1902 o quanto o terrorismo é uma tática ineficiente, fracassada mesmo,
para quase qualquer finalidade. Bombas não falam muito. Quem noticia a ação
terrorista, os meios de comunicação (no Brasil, por exemplo, a Globo e Folha de
S.Paulo), é que falam e se beneficiam do ato terrorista para darem o recado que
quiserem. O terrorismo ainda justifica perante a opinião pública a ação
repressiva dos governos. Por isso vários governos do mundo, ao menos desde o
século XIX, promovem eles mesmos, por meio da manipulação de grupos de jovens
revoltados, atos terroristas. Possibilidade que não se deve excluir em nenhum
ato terrorista dos últimos anos.
Os europeus, mesmo de direita, já entenderam que é
necessário incluir esse proletariado europeu de origem árabe no mundo cultural europeu.
Contudo, isso não é possível por meio de ideologias conformistas,
conservadoras, capitulacionistas, e muito menos a força. Por mais que esses
jovens sejam conservadores do ponto de vista dos costumes, por sua ideologia
religiosa, fato é que eles estão revoltados. Os fatores concretos que levam a
essa revolta não melhorarão sob o capitalismo, porque as taxas de crescimento
da Europa, reflexo das taxas de lucro, já estão muito baixas, e a solução
capitalista sempre é aumentar a exploração para recuperar lucros. Mesmo que não
fosse caso de necessidade, a imigração massiva recente derrubará salários. O
que precisa ser canalizado e desviado do terrorismo é revolta, é sentimento de
classe. O marxismo, ou seja, a proposta de resolver os problemas sociais de
forma científica, deve ser apresentado com alternativa ao visível fracasso das
táticas terroristas/religiosas.
Depois de cada ataque terrorista os mesmos meios de
comunicação que tentam esconder que os terroristas são jovens europeus também
tentam defender as religiões, no caso a islâmica. A culpa não seria da
religião. Os terroristas não compreenderam a religião direito. Ora, nem as
igrejas seguem os ensinamentos de Cristo, Buda, Maomé etc. Que as religiões
preguem a paz e promovam mortandades é a história humana nos últimos 2 mil
anos. Buda, Cristo e Maomé pregaram a tolerância e seus seguidores sempre foram
os principais perseguidores, os mais intolerantes moralistas, os maiores
inimigos do que pregaram seus supostos seguidores, em cada sociedade em que
existem. Os atos terroristas são sim de matriz religiosa. São a revolta juvenil
em toda a sua energia pelo filtro cultural religioso.
Perseguir o marxismo, promover crendices relativistas e
anticientificismo, promover religiões etc. nunca passou de uma estratégia para
desarmar os trabalhadores, desuni-los e desorientá-los, tornando-os inofensivos
ao capitalismo. Eis o resultado – jovens proletários que não colocam em risco o
capitalismo, mas matam e morrem irracionalmente (poder que as religiões sempre
tiveram).
A direita é anticientificista (daí anti-intelectual) porque
já entendeu que a ciência é o caminho para o marxismo. Percebeu que destruindo
a ciência destrói o marxismo pela raiz, e que desmoralizando a ciência
desacredita o marxismo. Na própria cultura árabe existiram muitos pensadores
avançados, importantes cientistas. Originalmente o Islã estimulava a ciência,
como hoje faz o Irã. O mundo árabe tem importantes partidos comunistas. Ou
seja, a cultura árabe não é infensa ao marxismo e o trabalho necessário para
livrar a Europa do terrorismo não é impossível.
Comentários