Quando o partido brasileiro se formou e lutou pela independência (1820-1831), seus objetivos já estavam traçados, em um trabalho que se estendeu por boa parte do século precedente, o XVIII, ou das luzes. Quando a República foi proclamada, em 1889, já se sabia como seriam suas instituições mil vezes traçadas nos jornais republicanos desde 1871 e mesmo antes. Os debates da Constituinte de 1891 não trouxeram grandes novidades, foram conclusivos, e rápidos. Quando os "tenentes" se levantaram em 1922, 1924 e finalmente vitoriosos com o apoio de parte das oligarquias em 1930, suas bandeiras, entre as quais despontava o voto secreto, eram já disseminadas entre as classes médias das grandes cidades, tanto que sem um organização nacional de cunho ideológico, eles levantaram praticamente as mesmas bandeiras em levantes separados no espaço e no tempo.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
O objetivo da CIA seria guerra civil em 1964?
Acabo de receber por e-mail um artigo de João Vicente Goulart afirmando que o objetivo estratégico dos EUA ao promoverem o golpe militar de 1964 era gerar uma guerra civil. A CIA previa a resistência armada dos apoiadores do presidênte João Goulart, que desenvadeiaria uma guerra que destruiria o Brasil. É a primeira vez que leio essa avaliação, e tenho que concordar que responde a uma questão que para mim não é solucionada por nenhuma outra leitura - Qual o objetivo do golpe?
quarta-feira, 7 de abril de 2010
7 de Abril é o verdadeiro dia da independência política do Brasil
Há 179 anos, uma insurreição popular no Rio de Janeiro levou Pedro I a abdicar. Pela primeira vez brasileiros governaram o Brasil. Foi o término de um processo que se desenrrolava desde 1808 e espalhava suas raízes pelo século XVIII.
Entre 1700 e 1800, o Brasil teve sua população aumentada de 350.000 para 3.500.000 almas, contando nascimentos, mas sobretudo imigração, importação de escravos e aprisionamento de índios. A população da metrópole, que hoje chamamos de Portugal e na época era mais chamavado de Reino, ficou em 2.500.000, sendo ultrapassada pela de sua maior colônia. O tamanho das populações nos indica, e quanto mais no passado menos essa relação é distorcida, o tamanho das economias, uma vez que mesmo um escravo precisa comer, vestir, beber, morar, instrumentos de castigo etc.
Ao mesmo tempo em que a economia do Brasil passou a rivalizar em tamanho com a do Reino, e embora essa não fosse a regra em alguns casos a competir, surgiu o capitalismo como um força internacional que avassalou Portugal. Na Inglaterra, o surgimento das indústrias tanto gerou condições econômicas quanto a necessidade de uma armada mais e mais poderosa, que se tornou senhora dos sete mares. Por todos esses mares o Reino de Portugal tinha colônias, e se não fosse bom amigo da Inglaterra ficaria sem todas elas!
Entre as duas forças que esmagavam o império colonial português havia interesses em comum, pois para os capitalistas ingleses se fosse possível vender ao Brasil sem o intermédios dos portugueses, venderiam mais, pois os preços não precisariam incluir a parte do intermediário. Os consumidores brasileiros teriam esses produtos mais baratos, e os exportadores também esperavam vender mais para a Europa sem que as firmas portuguesas lucrassem sua parte. Portugal tinha que manter a aliança ingleza mesmo que a altos custos, e arcar também com os custos de esmagar as revoltas que aconteciam nas colônias, tendo estas se tornado mais ameaçadoras no final do século XVIII.
Em 1807, a invasão de Napoleão Bonaparte acelerou e acrescentou um fator peculiar ao processo, ao obrigar Dom João VI a atravessar o oceano com toda a Corte para o Brasil. Em 1808, ao chegar em Salvador, abriu os portos brasileiros, oficializando o fim do monopólio do Reino sobre o comércio brasileiro, que fora de fato quebrado por Napoleão. Na prática, o Brasil já não era uma colônia, pois a metrópole estava ocupada por tropas francesas. Contudo, ainda não tinha independência política nenhuma, pois continuava governada pelo mesmo Rei, agora morando no Rio de Janeiro e não em Lisboa.
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