sexta-feira, 22 de março de 2013

TVs "brasileiras" fazem coro à preparação da guerra na Ásia

As TVs e toda a grande imprensa instalada no Brasil estão reproduzindo, como sempre, o que lhes mandam as agências de notícias dos EUA e da Europa, incluindo a propaganda de guerra. Antes de uma guerra prepara-se o povo emocionalmente, exatamente como se tem feito contra a Síria, o Irã e a Coréia.

No primeiro caso acontece uma guerra civil há dois anos, armada e financiada pelos países europeus e os EUA, com "rebeldes" recrutados em diversos países árabes. O objetivo desses "rebeldes" é instalar governos religiosos, aplicar a sharia, colocar as mulheres dentro de burcas, fuzilar os comunistas, socialistas e socialdemocratas, arrastas a Síria de volta ao século XIX. Os europeus, sobretudo, animados por sua vitória militar sobre a Líbia, estão animados para a guerra e tentam plantar todo dia um escândalo que leve a opinião pública a pedir a guerra. Lembra o golpe de Bismark, mas aplicado sobre o próprio povo.

As TVs e grandes jornais e revistas retratam a guerra civil como uma rebelião contra uma ditadura. Essa "ditadura" é que permite o mínimo de liberdade para as mulheres e todos os que por quaisquer motivo não pretendem aceitar o governo dos fanáticos religiosos. Em outras palavras, é uma ditadura, sim, contra os fanáticos religiosos que de outra forma se imporiam pela força. Não existe regime político que não seja, contra alguém, uma ditadura. Aliás, das ditaduras árabes a Síria é uma das mais brandas.

O Irã, no mundo islâmico, é o país onde moram mais judeus. É uma República, a potência industrial e militar do Islã. O regime político iraniano tem características religiosas, pois existe um conselho de Aiatolás, que soma poderes judiciários e legislativos, porém também existe um presidente eleito diretamente e uma câmara de deputados eleita igualmente por padrões capitalistas ocidentais. As mulheres são obrigadas a se cobrirem, mas podem estudar e trabalhar.

Israel ameaça constantemente o Irã. O argumento de Israel, dos EUA e dos europeus é que o Irã poderia estar desenvolvendo a bomba atômica. Soma-se à propaganda de guerra uma série de denúncias sobre o desrespeito aos direitos humanos no Irã, algumas delas verdadeiras. Porém, como são feitas exclusivamente contra os países alvo, essas denúncias são só uma preparação para a guerra.

A Coréia é um estranho regime socialista. Embora oficialmente uma república, optou por fazer a sucessão ao estilo monárquico. Trata-se de um minúsculo país árido, mas é uma potência militar. Mais que isso, é uma potência científica, apesar de ser minúscula, pois é capaz de colocar satélites em órbita, coisa que o Brasil ainda não conseguiu fazer.

As acusações contra a Coréia são as mais infantis, até porque direcionadas ao público estadunidense. A minúscula Coréia estaria ameaçando os EUA, e, claro, são comunistas, estão comendo criancinhas! Para conseguir a atenção do público estadunidense só assim!

Esse lixo midiático acaba chegando ao Brasil e ao mundo todo. O que realmente significa é que o remédio escolhido pelos EUA, Europa e Israel para saírem da crise é uma grande guerra na Ásia, e eles já dividiram os alvos prioritários de cada um.

O que se lamenta é o silêncio e a inação da Rússia e da China diante dessa invasão da Ásia. Que falta faz a União Soviética!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Estudos Vermelhos com livraria aberta

A editora Estudos Vermelhos está abrindo uma pequena livraria na rodoviária de São João del Rei, Minas Gerais. O objetivo é que seja também um espaço de convivência, onde as pessoas possam tomar um café, jogar um xadrez, e conversar. Todas as forças políticas socialistas estão convidadas a levarem seus materiais de divulgação, seus livros, suas agendas, jornais, camisas e bandeiras.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Corte dos impostos federais sobre cesta básica deve ser apoiado

Como resposta à crise que se agravou, a presidenta enfim cumpriu sua promessa de campanha, cortou os impostos federais sobre a cesta básica e mais uma lista de produtos que considerou de primeira necessidade, como sabão e outros produtos de limpeza. O PT precisou de dez anos para fazer isso! Talvez seja a melhor medida tomada até agora pela presidenta, que a anunciou no dia das mulheres. A mídia capitalista fez a maioria de seu coro de "comentaristas" dizer que a medida terá impacto pequeno, esperando que a crise camufle o efeito que a medida teria se não tivesse sido adiada.

Claro que ao apoiarmos essa medida não esquecemos nenhum dos erros desse governo, defeitos na verdade oriundos do regime político, no qual o PT não tocou, talvez se autoenganando com economicismo, que nesse caso é esperar que leves redistribuições de renda gerem espontaneamente melhorias no sistema político. Que ilusão besta! Modifica-se um regime político, desculpem-nos a redundância, aqui necessária, somente no campo político, único espaço onde se pode modificar a organização do poder de um país, pois é de onde nascem as Constituições e outras leis. Ou seja, se tiverem agradarem o povo de um tanto que possam escrever uma nova Constituição, então, sim, terão modificado alguma coisa.

A medida em si tem que ser defendida porque é simplesmente absurdo que existam impostos sobre os itens que receberam isenção assim como muitos outros. Não se trata de nenhuma medida revolucionária, tanto que é realidade nos EUA e em diversos países capitalistas. É só bom senso. Terá efeito imediato, reduzindo o preço de alguns produtos mais do que eles subiram em um ano. Terá efeito inclusive de abrandar a crise econômica que se agravou sobre o Brasil.

O fato da presidenta ter feito o anúncio no dia das mulheres, assim como fez ano passado, é revelador. Lembra Getúlio Vargas que fazia suas reformas mais populares no dia dos trabalhadores. Ser a primeira presidenta da República é certamente uma força eleitoral muito grande.

A grande imprensa concentra seu fogo em afirmar que a medida não terá grande efeito sobre a inflação. Uma verdade técnica. A medida reduz os preços de uma só vez, e se a inflação for medida mês a mês, em um só mês. A inflação é a taxa de crescimento dos preços em relação à moeda em um determinado período de tempo. Sendo assim, no mês seguinte ao da extinção dos impostos a taxa de inflação pode ser a mesma do mês anterior ao da redução, ou mesmo maior, embora os preços ainda estejam menores do que um ano atrás. 

Se o país vai reagir à crise ou não depende exclusivamente do governo da presidenta petista. Ela atraiu a crise para o Brasil, quando fechou as torneiras de dinheiro, caindo na ilusão monetarista, de que geraria inflação se não parasse de fazer dinheiro. Eis a ai a inflação apesar do remédio venenoso! Agora o país não cresce, porque 0,9% é não crescer em um país cuja população cresceu mais que isso no mesmo ano, e ainda tem inflação, o que aliás é natural! Se a população cresce mais do que a produção, cada membro dessa população terá a sua disposição uma quantidade menor de produtos, que é exatamente o que acontece com a inflação, ou seja, os preços sobem e as pessoas podem comprar menos que no mês anterior.

Naturalmente, a melhor maneira de se combater a inflação é produzir mais de tudo. Cortar impostos, no caso brasileiro, é sim uma boa maneira de estimular a produção, e aliás, a melhor forma de cobrar impostos não é sobre a produção. Contudo, o problema dos impostos irracionais brasileiros esbarra no "pacto federativo". Uma multidão de políticos nos governos estaduais e nas assembleias legislativas alimentam-se de impostos estaduais para governarem o mesmo território que já é governado pelo governo central e pelos municípios! Ou seja, cada palmo de terra do país, com exceção de Brasília, é governando por três governos e o povo tem que sustentar os três. Ressaltamos acima que não se pode melhorar de fato esse país sem reorganizar os poderes em uma nova Constituição, e eis ai um exemplo.