terça-feira, 27 de novembro de 2012

Democracia liberal não serve para o mundo árabe

O golpe palaciano do presidente egípcio, recém eleito, membro da Irmandade Muçulmana, com a finalidade de concentrar poderes, é um bom exemplo das dificuldades que o mundo árabe terá que superar para se livrar de ditaduras. Se reiniciaram os choques de rua, agora não mais entre civis e militares, contra uma ditadura militar, mas entre um partido religioso e forças democráticas, tentando evitar uma ditadura religiosa. Os egípcios temem ter derrubado uma ditadura militar para dar lugar a uma ditadura religiosa.

O tipo de "democracia" adotado, o mesmo que não funciona em lugar nenhum, piorou as coisas, pois é naturalmente concentrador e personificador de poderes. Mursi foi extremamente fortalecido por vencer eleições nacionais, e acabou de tomar posse, de forma que se for derrubado os partidos religiosos dirão que sofreram um golpe, e se os militares apoiarem a oposição, se dirá que aconteceu um golpe militar. O conflito continuaria, com o perigo de se tornar mais sangrento.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Voltam a explodir bombas dentro de Israel e a culpa é do governo israelense

Há vários anos não se explodia um ônibus em Israel. Os palestinos, em uma conjuntura internacional desfavorável e tendo seu povo massacrado, tinham optado por negociações. Os israelenses fizeram todo o possível para estragar as negociações, mas os palestinos insistiram além até do que era digno. Mas Israel é um projeto já fracassado, que não pode viver em paz com os vizinhos porque quer dominá-los, os despreza, os considera inferiores, uma vez que Israel é fruto da crença de parte dos judeus na superioridade judia. Então, Israel, mais uma vez, abandonou o caminho da paz e da convivência, e optou pela guerra total.

Nem é preciso dizer o quanto o comportamento de Israel lembra o comportamento dos alemães que massacraram judeus, e o quanto isso é freudiano... Mas na realidade atual Israel não tem um ditador, é um parlamentarismo, mas não só a maioria absoluta, mas mesmo mais de 70% do eleitorado, vota em partidos religiosos e belicistas. Israel não é um estado laico, tem leis religiosas e é governado por partidos de fanáticos religiosos!

Ora, a saída política para o conflito exigiria a vitória de partidos laicos (não-religiosos) dos dois lados, esmagando os partidos muçulmanos e judeus, na Palestina e em Israel, e fundindo ambos em um só país também laico, ou seja, em que o estado não tem relação com religião, mas com o território. Seria israelense ou palestino, tanto faz o nome, pode até ser outro, quem nascesse dentro daquelas fronteiras. Israel não é assim, qualquer judeu, nascido em qualquer lugar do mundo, falando qualquer língua, se for da religião judia pode ser aceito como cidadão judeu, mas um palestino ou qualquer outro árabe muçulmano ou cristão, nascido dentro de Israel, nem por isso recebe cidadania... Obviamente esse critério é medieval.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Crise mundial prova que China não é capitalista, embora não seja socialista

Nem o Partido Comunista da China afirma que a China é socialista. Só o PCdoB, que no passado via a perfeição na Albânia (de grata memória) e hoje vê revolução nos governos petistas é que, no mundo, contrariando inclusive o Partido Comunista Chinês, que diz que a China ainda "caminha para o socialismo", é que vê socialismo na China. Talvez a formulação contrária, de que a China caminha para o capitalismo, fosse mais correta, mas o exemplo de fracasso do mundo capitalista não deve animar os chineses nesse caminho.