quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Crise mundial prova que China não é capitalista, embora não seja socialista

Nem o Partido Comunista da China afirma que a China é socialista. Só o PCdoB, que no passado via a perfeição na Albânia (de grata memória) e hoje vê revolução nos governos petistas é que, no mundo, contrariando inclusive o Partido Comunista Chinês, que diz que a China ainda "caminha para o socialismo", é que vê socialismo na China. Talvez a formulação contrária, de que a China caminha para o capitalismo, fosse mais correta, mas o exemplo de fracasso do mundo capitalista não deve animar os chineses nesse caminho.

Contudo, conforme qualquer um que realmente sabe o que é o capitalismo, ou seja,  conforme qualquer verdadeiro comunista, aquilo nem sequer se parece com o capitalismo. Os críticos, destacadamente os trotskistas, sobretudo as alas que são contra todas as revoluções, apontam qualquer característica capitalista que vêem na China como prova de que se trata do capitalismo, mas isso é ridículo!  Já existiram e ainda existem no mundo diversos modos de produção, e não só dois (capitalismo e socialismo). Sabemos que a luta final só pode ser entre capitalismo e socialismo, e que a China só tem essas duas opções, mesmo que resolva inventar outro nome para algum desses dois, porém, como avisava Lênin, tomar conclusões gerais da história como realidade objetiva do presente é um erro grosso.

Precisamos afirmar, no presente a China não é capitalista nem socialista! A China nunca chegou a ser capitalista, e está construindo um capitalismo artificial, limitada a algumas grandes cidades, e é mais capitalismo pela vontade de assim o chamar dos diplomatas chineses do que na prática. Então, naturalmente, a China nunca chegou nem perto do socialismo, porque não se pode construir o socialismo a partir de uma sociedade economicamente atrasada como era há poucas décadas a China. Mais precisamente, só se pode construir o socialismo a partir das condições materiais geradas pelo capitalismo.

Existe uma famosa conversa entre Mao Zedung e Luis Carlos Prestes, depois da Revolução Chinesa, em que Mao, no poder, argumentou que o Brasil, onde Prestes era perseguido político, estava mais próximo do socialismo do que a China, porque tinha mais estradas de ferro, um rebanho maior, mais indústrias, mais portos etc. Ele estava sentindo, na própria pele, esse fato, que o socialismo é filho do capitalismo. Mao Zedung e o PC Chinês testaram se era possível atropelar essa lei histórica, e não conseguiram, foi o fracasso do Grande Salto à Frente, que derrubou ainda mais a economia chinesa. Mao não se conformou com ainda dessa vez com a necessidade de estimular o capitalismo na China, e concluiu que o problema era a cultura atrasada dos chineses, e o PC Chinês tentou a Revolução Cultural, que se não foi tão grande fracasso como gostam de afirmar seus críticos, também não foi nenhum sucesso. Só em 1973 o PC Chinês, desagradando Partidos Comunistas do mundo todo, resolveu desenvolver o capitalismo na China.

Porém, agora precisamos conferir, esse capitalismo chinês pode ter dado os resultados econômicos esperados pelo Partido Comunista, mas não é um capitalismo legítimo. Na verdade a economia chinesa não sente a resseção econômica mundial. Pelo contrário, a China é um dos principais fatores geradores da superprodução que está na base dessa resseção, e ainda a aproveita para comprar matérias primas baratas no mundo todo, em quantidade jamais vista antes. Na verdade, China tem escolhido a dedo a quem quer beneficiar e a quem quer abandonar, e o Brasil foi escolhido como parceiro estratégico, assim como Cuba e os países que estão fazendo as revoluções bolivarianas. A China também escolheu "parceiros" na África, na própria Ásia e até na Europa.

A economia chinesa também não tem suas próprias crises periódicas, e também não registra a tendência de toda economia capitalista para queda constante das taxas de lucro. Observemos então de perto essa economia. Grande parte dela continua rural, e a maioria das cidades não está incluída nos bolsões capitalistas. Grande parte das indústrias, destacadamente as estratégicas, continuam sob controle público, e as indústrias "particulares", "privadas", na verdade são reguladas por contratos com o governo, que incluem tempo de duração, taxas de lucro, capital a ser investido, ou seja, estão de fato reguladas pelo poder público e não pelo mercado. A moeda nacional chinesa é de tal forma desvalorizada que praticamente só o governo importa qualquer coisa, diminuindo ao máximo a importação de produtos de consumo. Dessa forma devemos perceber que os chineses desmentiram Lênin, quando afirmou que a única forma de controlar o comércio internacional era estatizando-o por meio da lei e da inconversibilidade do rublo. Os chineses controlam o comércio internacional sem o estatizar por lei e deixando o iem conversível, simplesmente o derrubando a valores simbólicos.

A população chinesa nunca conheceu a prosperidade que tem hoje, embora para padrões brasileiros essa prosperidade chinesa se pareça muito com a miséria, um fruto da superpopulação. A China recuperou o seu orgulho. A afirmação de que o salário dos chineses é uma miséria não passa de desinformação baseada na conversão do iem em dólares, sendo que já explicamos que o iem é desvalorizado propositalmente pelo governo para não desperdiçar divisas. O poder de compra dos salários chineses na China é o mesmo que em todo o mundo, o único possível, o custo de vida! Se trabalho escravo gerasse desenvolvimento econômico, o Brasil do século XIX teria se transformado em uma potência, e o Sul teria vencido no Norte da guerra civil norteamericana.

O que gera a força da economia chinesa é o mesmo que transformou a Alemanha e principalmente a Rússia em potências econômicas no século XX, o planejamento econômico dominando e usando o mercado como o que realmente é, uma prostituta. Um puteiro é um mercado de sexo e todo mercado é igual, as regras dos puteiros são as regras de qualquer sociedade de mercado.

Eis agora o mundo! Um só grande país, porque controla sua economia de cabo a rabo, não sente os efeitos da resseção mundial, e ainda se beneficia dela e protege países aliados. Todo o resto do mundo, cujas economias são casas das tias, sofre a resseção econômica e que já está gerando crises políticas, desde o início de 2011 no mundo árabe, agora na Europa. 

2 comentários:

val disse...

pra mim a China é uma ditadura igualzinho aquela que tinha no Brasil

Alex Lombello Amaral disse...

O assunto do texto não é esse, mas mesmo se fosse, essa opinião é idiota... Mesmo se fosse para comparar duas ditaduras acontecidas no mesmo país, essa frase seria idiota... No caso específico, revela uma ignorância gigantesca.