terça-feira, 16 de abril de 2013

A Revolução Bolivariana está correndo sérios riscos

Em artigo publicado semanas antes da morte de Hugo Chávez, a Estudos Vermelhos explicou que em caso de eleições diretas para presidência da Venezuela sem Chávez, a Revolução estaria correndo riscos enormes. Vamos aos fatos.

Apesar dos grandes sucessos da Revolução Bolivariana, os meios de comunicação de massas e o capital ainda estão nas mãos dos capitalistas, as mesmas elites reacionárias que mandavam antes de Chávez. Essa classe não desistirá de retomar o poder, mesmo porque controla quase o mundo inteiro. O proletariado venezuelano, por sua vez, não é dos mais fortes, precisa desesperadamente do apoio dos militares chavistas,  vanguarda da Revolução Bolivariana desde o início.

O fato de Hugo Chávez ter indicado seu sucessor e as eleições se realizarem um mês depois de sua morte foi o que impediu que a direita vencesse e acabasse com a Revolução Bolivariana da forma mais fácil possível. Não se pense que seria sem sangue, não, a direita, se retomar o poder na Venezuela, ou massacrará os inimigos na hora ou os massacrará depois, um a um, em uma guerra suja.

Os capitalistas, orquestrados no mundo todo pelo comando unificado das "redes de notícias", simularam que tinha desistido, que a vitória já era de Maduro mas, conforme salientou o São João del Pueblo, a direita não desistiria de seu próprio jogo, com suas próprias regras. Não desistiu! Obteve 49% dos votos, um percentual que em qualquer situação normal seria o de um primeiro lugar com dez pontos de frente, mas durante um revolução não é mais que um segundo lugar.

A diferença de 1 ponto e meio permite à direita tentar novamente seus planos golpistas, que é o que está fazendo agora, com cobertura favorável da imprensa imperial. Um teatro em que o derrotado não reconhece a derrota, os EUA também não reconhecem, e assim se busca desestabilizar o regime. Uma guerra civil ou uma repressão inábil por parte do governo satisfaria o império! A direita está mandando seus capangas cometerem violências, esperando que ou isso anime setores oposicionistas a pegarem em armas e iniciar uma guerra civil, ou que chavistas revidem e causem uma escalada de violência em que o governo seria envolvido pelos meios de comunicação.

Nesse momento o governo e o povo precisam de firmeza. As eleições acabaram, a oposição deve aceitar, os grupos de direita que cometerem violências devem ser desmantelados com eficiência e presos para valer, penas exemplares. Os governos estrangeiros que apoiam a oposição estão tentando criar na Venezuela uma guerra civil, e portanto devem ser tratados como inimigos. Destaca-se ao lado dos EUA a Espanha, um reino cujo rei foi coroado por um ditador sanguinário, e que parece não ter percebido que os países latinoamericanos não são mais suas colônias. Se a Espanha se dá ao direito de dar palpites nos assuntos internos de países latinoamericanos então nós latinoamericanos devemos dar palpites também na vida política espanhola, e o meu é simples: Cadeia para o rei fascista, Viva a República!

Passada essa crise, deve-se avançar na Revolução, não somente no aspecto econômico, mas também no político. Esse desenho de poder, concentrado nas mãos do presidente, com eleições de formato capitalista, se for mantido levará a Revolução à derrota. Essas eleições, repetimos, foram ganhas graças à sabedoria de Chávez, mas não há nenhuma garantia de que se poderá vencer as próximas eleições, e o mais provável é que não, porque é sempre o capital que ganha as eleições onde pode atuar no mundo todo. Ademais, derrubar um homem é muito mais fácil que derrubar milhões, e mesmo que em retórica os milhões sustentem esse um, na prática mesmo Chávez, no auge de sua popularidade, e sendo ele militar, sofreu um golpe. Aliás, presidentes derrubados mesmo tendo apoio de massas contam-se aos montes.

Os se modifica o desenho do poder na República Bolivariana da Venezuela, estabelecendo o poder direto na mais larga escala que a humanidade já viu, ou mais uma Revolução fracassará.