
Chegamos à metade da Copa de 2014, e as ruas ainda não estão enfeitadas como sempre eram, Copa após Copa. Semanas, até meses antes das Copas, os brasileiros dedicavam-se a enfeitar suas casas, suas ruas, com bandeirinhas, até com pinturas enormes em muros e asfaltos. Embora a empolgação da população esteja crescendo jogo após jogo, o record de Copa mais desanimada entre os brasileiros já é dessa de 2014. As comemorações têm sido igualmente pífias, não só em comparação com as Copas passadas, mas até mesmo em comparação com campeonatos nacionais e estaduais. Quando o Brasil fazia um gol, nas Copas passadas, o país todo berrava, os foguetes pipocavam como se fosse passagem de ano. No quarto jogo dessa Copa, mesmo com a decisão no último chute da cobrança de penalts, não se chegou ao barulho de outrora. Outra novidade é o transito durante os jogos, que não existia. O país todo parava, ficava em silêncio, com os olhos grudados das TVs, mas agora não é assim. Esse ano ainda não se pode fazer a famosa reportagem em que um repórter grava no centro de uma avenida onde o trânsito é pesado 24 horas por dia. Talvez se possa fazer essa reportagem no quinto jogo da seleção, pois como já se disse, a empolgação cresce jogo a jogo.
Fato é que a maioria esmagadora dos brasileiros, como sempre, está torcendo pelo Brasil, mas é uma torcida envergonhada, daí discreta. O sentimento de descontentamento generalizado, patente desde Junho e 2013, não se traduziu em torcer contra o Brasil, mas relacionou a torcida exagerada com conformismo político. Então as pessoas torcem, mas não se pintam todas de verde e amarelo porque não querem parecer conformistas e manipuladas. Isso nos faz lembrar de um artigo que escrevemos no São João del Pueblo há 4 anos, quando o Brasil foi eliminado da Copa de 2010 e as bandeiras sumiram das ruas. Nós reclamamos desse rápido desaparecimento do nacionalismo. Mas agora acreditamos que a situação é melhor que em 2010. O nacionalismo de 2010 era superficial, praticamente falso, o famoso chauvinismo, tanto que se desfez por conta de um jogo de futebol. Já o nacionalismo que vem se configurando desde Junho de 2013 é mais verdadeiro, tem conteúdo, é a preocupação com o bem estar social, é a indignação com a corrupção e com a violência policial, e não vai se desfazer quando a Copa acabar. As bandeiras do Brasil têm agora uma utilidade mais nobre, nas mãos de manifestantes, e continuarão de pé.
Fato é que a maioria esmagadora dos brasileiros, como sempre, está torcendo pelo Brasil, mas é uma torcida envergonhada, daí discreta. O sentimento de descontentamento generalizado, patente desde Junho e 2013, não se traduziu em torcer contra o Brasil, mas relacionou a torcida exagerada com conformismo político. Então as pessoas torcem, mas não se pintam todas de verde e amarelo porque não querem parecer conformistas e manipuladas. Isso nos faz lembrar de um artigo que escrevemos no São João del Pueblo há 4 anos, quando o Brasil foi eliminado da Copa de 2010 e as bandeiras sumiram das ruas. Nós reclamamos desse rápido desaparecimento do nacionalismo. Mas agora acreditamos que a situação é melhor que em 2010. O nacionalismo de 2010 era superficial, praticamente falso, o famoso chauvinismo, tanto que se desfez por conta de um jogo de futebol. Já o nacionalismo que vem se configurando desde Junho de 2013 é mais verdadeiro, tem conteúdo, é a preocupação com o bem estar social, é a indignação com a corrupção e com a violência policial, e não vai se desfazer quando a Copa acabar. As bandeiras do Brasil têm agora uma utilidade mais nobre, nas mãos de manifestantes, e continuarão de pé.
Entre a
minoria que não torce para o Brasil, muitos o fazem por motivos meramente
futebolísticos. Porém, até nesse aspecto as críticas estão mais avançadas, mais
politizadas, que o tradicional. Copa após Copa os brasileiros caiam no velho
debate sobre quem deveria ser o técnico e sobre os jogadores convocados, não
raro existindo algum jogador que todo o país desejaria ver na seleção mas que
não era convocado. Ou seja, estávamos limitados à pequena política mesmo no
futebol. Dessa vez a crítica é ao modelo de convocação da seleção, em que são
convocados jogadores de times estrangeiros, na maioria das vezes já
ultrapassados, claramente com a finalidade de valorizar seus passes. Debate-se
também a influencia do dinheiro, ou seja, da fraude, por conta das gigantescas
bancas de apostas.
Conforme
todos sabiam há um ano, aconteceram manifestações durante a Copa. Estão
pequenas, como é comum, mas é significativo que aconteçam! Enquanto em 2010 não
haveria nenhum sentido propor uma manifestação, agora elas sequer são uma
surpresa, e milhares de jovens de um lado enfrentam milhares de policiais de
outro, enquanto a seleção joga em uma Copa do Mundo. Apesar de pequenas essas
manifestações chamam a atenção do mundo, sobretudo devido à insistente
violência policial. Poucos brasileiros estão tão expostos à violência quanto os
policiais, que devem ser boa parte dos 50 mil brasileiros assassinados todos os
anos, e o prêmio que milhares deles recebem do governo é esse, não assistirem
os jogos.
Muita gente
acreditava que as manifestações durante a Copa seriam tão grandes como as de
Junho de 2013, porque não entenderam direito tudo o que foi Junho. Acreditam
que Junho aconteceu por conta da Copa das Confederações, enquanto esse foi só
um dos fatores. Fizemos em 2013 um balanço
das manifestações, publicado aqui mesmo no Estudos Vermelhos, e nele nem
citamos a Copa da Confederações, e daí não previmos nada para a Copa de 2014. Junho
foi o início de uma nova etapa na República de 1988, sua contestação pública, e
não simples manifestações gigantescas, não qualquer descontentamento, nem a
inauguração de uma tática nova de reivindicações. As ruas desenfeitadas são
resultado de Junho, refletem o desgosto do povo brasileiro não com a Copa, mas
com o país.
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