Entramos na era robótica. Não é possível conter a robotização da economia, e qualquer neoludismo fracassará. As teorias de que surgirão novos empregos para cuidar dos robôs são economicamente absurdas. A única maneira de manter empregos, e portanto a demanda, será reduzindo a jornada de trabalho. Também será necessário facilitar e valorizar as aposentadorias, distribuir bolsas, criar mais empregos públicos, tanto concursados como sociais, e se não for suficiente, será necessária a renda mínima para todo cidadão. Todas essas medidas são boas para a economia. As medidas que têm sido tomadas nas últimas décadas, como as seguidas reformas de dificultam e reduzem as aposentadorias, cortam bolsas e empregos públicos, terão que ser desfeitas.
O desenvolvimento das máquinas é resultado do capitalismo, que não seria capitalismo se cada concorrente não pudesse inventar formas de produzir com menor custo, e derrubar os preços para tomar mercado aos concorrentes. Se algum país proibir ou dificultar os robôs, ficará para trás. Perderá empregos do mesmo jeito, porque perderá mercado para os países que continuarem usando robôs. Isso vale para os países socialistas, porque eles participam do mercado mundial, capitalista. A China não vai fazer a burrice de conter a robotização. Pelo contrário, já tem mais de 2 milhões de robôs em suas fábricas e está planejando multiplicá-los. Logo exportará os velhos, espalhando-os pelo mundo.
Já surgiram artigos alegando que os empregos perdidos serão compensados pelos empregos criados para fabricação e manutenção dos robôs. Isso significaria não ter redução de custos, o que é absurdo. Marx já sabia que uma máquina só é introduzida se o empresário calcular que seu custo mais sua manutenção são inferiores ao custo das horas de trabalho que ela substitui. Se não, é melhor manter o trabalho braçal. Portanto, os robôs retirarão empregos, sim, porque eles só servem, do ponto de vista capitalista, para isso.
Será necessário ir reduzindo gradualmente a jornada, na medida em que a economia se robotiza. Existem outras medidas que levam ao mesmo objetivo e, tomadas em conjunto, podem dividir entre si essa função. A primeira é facilitar as aposentadorias e aumentar o valor delas, para afastar os aposentados do mercado de trabalho. Bolsas são importantes para afastarem os estudantes do mercado de trabalho. Também é importante criar mais empregos públicos, concursados e sociais. O que chamo de emprego social é um emprego de um salário mínimo para quem quiser trabalhar, nem que seja para varrer ruas. A outra opção, caso essas acima não sejam suficientes, seria uma renda mínima universal. Contudo, dessas medidas, a única que não acarreta mais gastos governamentais é a redução da jornada de trabalho. Pelo contrário, ela aumenta a arrecadação.
Mas as reduções da jornada de trabalho não serão necessárias somente para manter empregos. O mundo vive uma crise permanente de superprodução. Nunca se produziu tanto. A crise dos EUA, criando conflitos em todo o mundo, e criando problemas com a China, é um reflexo dessa falta de demanda. EUA, China e os outros países estão disputando mercado, querem vender, e não está fácil para nenhuma deles. Deixar os empregos se reduzirem ainda mais é agravar essa crise que já quase cria uma guerra mundial.
De fato, tanto a redução da jornada quanto as outras medidas propostas, destacadamente a renda mínima, são anti-capitalistas. Contudo, o capitalismo chegou a essa fase de sua história, em que, para sobreviver, precisa de medidas anti-capitalistas, para não dizer socialistas.
Essas medidas são boas para nossa economia, porque o que falta é demanda. Mais gente empregada ou aposentada é mais gente comprando. As medidas que têm sido tomadas, dificultando as aposentadorias, reduzindo seu valor, cortando empregos públicos e bolsas, terão que ser todas desfeitas. Foram tomadas a serviço do capital financeiro, ou seja, de agiotas, por políticos que defendem ideias do tempo das carroças, e contra a vontade do povo.
Os robôs não são um mal. Eles só nos fazem mal se não tomarmos medidas inteligentes que impeçam o crescimento do desemprego e a quebra da economia. Mas se, gradualmente, na medida em que a economia se robotizar, formos reduzindo a jornada de trabalho, os robôs serão nossa libertação. Gradualmente aboliremos o trabalho - os trabalhos perigosos, os trabalhos duros, depois os trabalhos chatos, até que só sobrem “trabalhos” que queremos fazer.




















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