quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Novas estratégias para as forças armadas

 

A esquerda brasileira, ainda sentida pela ditadura que terminou há mais de 40 anos, empurra os militares para o colo da direita desde então.  Mesmo os setores mais racionais, que não têm birra contra os militares, também não têm ou não priorizam uma política positiva para as forças armadas (FFAA). É hora de novas estratégias.

Os militares atuais não têm mais nenhuma relação com a ditadura. Os que estão se aposentando agora, ingressaram vários anos depois de 1985, quando a mesma acabou de acabar. Não têm projetos para o país, como o Clube Militar tinha até 1964. Não têm experiência golpista, que os milicos de 1964 tinham sobrando - pois tinham tentado um golpe em 1962, outro no final do governo JK, tinham derrubado Getúlio em 1954 e em 1945, e tinham colocado ele como ditador em 1937. Tinham apoio internacional para o golpe, e da maioria da opinião pública. O efetivo com que contavam era maior, enquanto as grandes cidades onde existiam forças democráticas para resistir ao golpe eram em menor número. Enquanto as forças democráticas da época comemoraram uma manifestação de 100 mil pessoas, os milicos colocaram 1 milhão nas ruas. Nada disso existe mais.

A birra de certos setores contra militares é completamente sentimental, irracional, até pessoal. Um exemplo é reclamar que eles se aposentem com 25 anos de serviço, quando o correto era pedir isso para todos os trabalhadores. Outro exemplo é a implicância com as filhas de militares, quando a lei que lhes dava pensão não existe mais há um quarto de século. Desde 2001, os militares não deixam mais pensões para suas filhas. As que ainda têm pensões quase todas são idosas de mais de 70 anos, muitas com mais de 80. A isso se reduziu a esquerda? Atacar velhinhas e reclamar de aposentadorias?

Transformações políticas e sociais profundas são impossíveis sem apoio e ou neutralidade de ao menos uma parte dos militares. Empurrar os militares em bloco para a direita é a atitude mais conservadora, contra revolucionária e suicida que se pode imaginar. É burrice.

Há quem tema equipar os militares, imaginando que usariam esses recursos contra o povo. Mas para reprimir o povo as armas do século passado ou até retrasado que as FFAA têm de sobra já bastam, se tiverem tropas suficientes.

Se há uma coisa que revolta os militares e os empurra para a política e daí para golpes de estado é o sucateamento das FFAA. Quando os milicos ficam nos quartéis, vendo que falta tudo, que tudo é velho, que aviões e embarcações estão estragados, que o país está desprotegido, começam a resmungar entre si, a culpar os políticos civis, e das reclamações que concernem à própria profissão, passam para outras e para o golpismo.

Já as armas modernas - especificamente mísseis de longo alcance e supersônicos, submarinos nucleares, caças e satélites – não são muito úteis para golpes e muito menos para manter uma ditadura. Quando o marujo está no fundo do oceano em um submarino nuclear, que pode ficar meses escondido para afundar toda uma frota inimiga que estiver atacando nosso país, ele não está fazendo politicagem, nem tem como dar um golpe. Nerds, que fabricam satélites e mísseis supersônicos e os operam atrás de um computador, não têm mãos calejadas e disposição para dependurar um adversário político em um pau-de-arara. Modernizar as forças armadas é também modernizar os militares.

Recentemente, graças a Trump e aos bolsonaristas, o PT finalmente incluiu a soberania nacional em seu discurso. É hora de praticar, propondo a modernização das FFAA, não só em teoria, mas com dinheiro para os armamentos modernos. Isso atrairia apoio dos militares e colocaria em xeque a hipocrisia da direita brasileira, composta de traidores da pátria que, por burrice da esquerda, tomaram os símbolos nacionais e se denominam como “patriotas”. Vamos ver se esses “patriotas” da pátria dos outros vão apoiar uma modernização das FFAA e assim traírem sua verdadeira pátria de coração, os EUA.

Há uma vantagem adicional em modernizar as FFAA, que é econômica. Uma das maneiras de aquecer uma economia são encomendas militares para empresas nacionais. Não serve para nada só ter equipamentos importados, porque em uma guerra não seria possível repô-los. Soberania nacional exige que as armas sejam fabricadas por empresas nacionais, e melhor ainda se forem públicas. É aqui que precisamos construir fábricas de mísseis (incluindo ICMB, o que também significa ter tecnologia de lançar os próprios satélites), de caças, de satélites e estaleiros de submarinos. Outros armamentos também, mas os que foram citados são indispensáveis.

Portanto, a esquerda precisa mudar duas estratégias. A sua própria estratégia em relação às FFAA, que deve deixar de ser de desconfiança e sentimentalismo e se tornar de apoio. E a estratégia das FFAA, que hoje é contra o próprio povo, visto que treina e tem armas contra guerrilhas, e deve passar a ser contra estrangeiros inimigos, nas armas e na doutrina.

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