segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A hora e a vez da esquerda verdadeira ressuscitar das cinzas


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Não é a toa que a imprensa capitalista tenta ligar a morte do cinegrafista durante a guerra campal entre a polícia e os Black Bloc aos partidos de esquerda. Para se tentar uma mágica dessas, quando todos sabem que as relações entre os partidos da frente de esquerda e os Black Bloc têm sido o tempo todo de mútua desconfiança (embora de solidariedade contra a repressão), é porque se deseja muito bater nesses partidos!

Embora seja um fato que até os partidos da frente de esquerda perderam em Junho, visto que os partidos em geral foram hostilizados, a verdade é que não perderam nem um só militante, e ganharam alguns, e nas últimas manifestações tinham se unido e afastado assim a ameaça fascista que hoje se sabe que em partes era paga (políticos de direita contrataram torcidas organizadas para atacarem militantes de esquerda). Já o PT perdeu tanto que teve que fugir das ruas já no início das manifestações, e a direita tradicional também perdeu, e no final também se retirou das manifestações. Hoje, embora o descontentamento e a vontade de mudança sejam apontados por todas as pesquisas, os candidatos da direita tradicional não crescem, por mais que estejam se disfarçando sob bandeiras vermelhas, e se as eleições fossem hoje, apesar de todo descontentamento, Dilma estaria reeleita.

O que explica esse aparente contrassenso? Naturalmente é a inexistência, entre os candidatos fortes, de algum que agrade aos eleitores, que assim preferem agüentar mais quatro anos de Dilma. Os candidatos fortes, ou seja, abençoados pela grande imprensa estrangeira que ocupa o país, são todos de direita, crentes no liberalismo econômico, falam em piorar a vida das pessoas, como se elas não entendessem que “ajuste de contas”, “austeridade”, “reduzir o déficit” significa - salários congelados, menos empregos, hospitais e postos de saúde sem médicos, escolas em greve, serviços de qualidade decadente e impostos mais altos.

O medo de que a esquerda verdadeira, socialista e revolucionária, rompa o bloqueio da mídia por conta própria e desponte como uma nova força política inescondível, com perdão do neologismo se é que é neologismo, é tanto, que se dão ao trabalho de acabarem de arrastar no chão sua credibilidade para citarem o nome de partidos da frente de esquerda em um episódio que nada tem com eles. Nós que estamos há anos tentando costurar a frente só podemos rir de tanto medo, quando mal conseguimos nos unificar (em 2010 não conseguimos).

Esse medo se deve ao espaço vago a que já nos referimos, em que a população quer mudanças mas vota na continuação. A direita teme, como em Junho, não se beneficiar das perdas petistas. Ao criminalizarem os Black Bloc, que não engoliam e porque precisavam de um bode expiatório para criminalizar manifestações em geral, abriram ainda mais o espaço para os partidos revolucionários, até empurrando jovens Black Blocs para partidos de esquerda. Como também sabe fazer essa conta básica, a direita fica histérica.

Para o medo dos dirigentes estrangeiros das grandes TVs “brasileiras” se tornar realidade a esquerda tem que saber trabalhar, unida para somar recursos, sem esquisitisses, com um programa claro, simples e exeqüível. Deve perder a timidez e lançar chapas completas de deputados, e fazer campanha para valer. Não é hora da conversa fiada antieleitoral, uma chuva de obviedades, um monte de verdades gerais que nada tem a ver com nossa luta política específica. A verdade geral é que a democracia burguesa é uma ditadura do dinheiro e não nos levará ao socialismo, que precisamos de outro Estado, com um desenho completamente diferente deste que temos, para que o conteúdo de classes seja proletário. Mas daí alguns gênios concluem que nossas lutas eleitorais são inúteis e fadadas ao fracasso. Estão errados, primeiro porque as eleições continuam sendo ótimos termômetros de nossas forças, como Engels já sabia no XIX, e no momento é vergonhoso que na maioria dos entes da federação não exista sequer um deputado federal dos partidos revolucionários. Isso não se deve ao conteúdo de classes do Estado burguês, mas a nossa própria naniquice e falta de política eficiente, uma alimentando a outra, sobretudo a última gerando a primeira. O erro geral de nossa tática é que nosso sistema de comunicação é terrível, não temos nenhum diário, nem online, nenhuma rádio, não produzimos quase vídeo nenhum. Para ressuscitar a esquerda revolucionária tem que sair da clandestinade, porque os milicos já voltaram para os quartéis há 30 anos.

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