sexta-feira, 12 de junho de 2026

Guerra em torno da transparência

 


Quantas leis que oficialmente visam a transparência do dinheiro público existem no Brasil? Não vou me dar ao trabalho de contar. Quase todas elas foram fracas, e algumas foram mesmo inúteis. Não é culpa de seus propositores, nem é impossível obter transparência. Simplesmente, a resistência dos corruptos é desesperada. Poder é conhecimento, portanto, pensar em poder popular sem absoluta transparência dos recursos públicos é piada, ou charlatanismo. Sobre a corrupção, exatamente porque ela é inerente ao capitalismo é que deve ser combatida, mesmo porque ela também é mortal para o socialismo.

terça-feira, 10 de março de 2026

Ensaio sobre a burrice humana

Queima de livros na Alemanha nazi

Esse ensaio não é um ataque contra outras pessoas supostamente burras, nem mesmo contra a burrice em si. É uma tentativa de preencher uma lacuna que se faz cada vez mais prejudicial às reflexões sobre as sociedades e os seres humanos que as compõem. Todos os pensadores mais importantes que refletiram sobre a humanidade destacaram a inteligência humana, e a maioria praticamente divinizou a nossa espécie. A consequência é que as instituições que temos, a começar pelos regimes políticos desde suas bases ideológicas até seus detalhes, são pensados para anjos, e não para verdadeiros humanos. Conhecer-nos melhor exige grande atenção aos nossos defeitos. Esse artigo não tem nenhuma pretensão de ser científico. São só reflexões. Ademais, incompletas, pois são um passo inicial. Não pretendo estar certo, mas gerar reflexões e debate.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Precisamos de mais vereadores e cortar seus privilégios

 

Soviet de Petrogrado

O descaso com os municípios é absurdo, uma vez que, em comparação com eles, a União e os estados são abstrações. Todo brasileiro vive em algum dos mais de 5 mil municípios atuais. Se o povo não manda nem em seus municípios, como mandaria no país todo? Para consertar o fracasso completo que são as administrações municipais precisamos reformar o desenho do poder delas. Para o povo ter poder, precisa de mais vereadores. Para termos mais vereadores e para a qualidade deles subir, é necessário que os salários sejam menores e que não tenham uma série de privilégios.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Reeleição parlamentar gera corrupção e cria donos de partidos

 

Digam o que disserem os defensores da reeleição de parlamentares, seus efeitos reais são completamente antidemocráticos. Os partidos são dominados pelos parlamentares eternos. Grande parte da corrupção dos políticos brasileiros é forjada na busca da reeleição. Projetos irresponsáveis, impensados, mas populares durante o período do mandato, são propostos e aprovados por parlamentares em busca de reeleição. Em busca de reeleição os parlamentares fazem constantes reformas em benefício próprio nas leis eleitorais e se acovardam diante de empresas que podem facilitar ou dificultar a reeleição.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

“Um distrito, um deputado” é um avanço possível nas condições brasileiras atuais

 

Em primeiro lugar fique claro que esse assunto, embora importantíssimo, é de natureza conjuntural. Ou seja, mudar a forma de eleger deputados, do frankstein atual para o que se chama “distrital simples” é um avanço dado o estado cultural da população brasileira hoje, meados da década de 2020, e se a população amadurecer politicamente se tornaria ultrapassado. Quem não entende a importância do assunto não sabe o que é o poder em um país, e quem se recusa a entendê-lo se mantém como criança na política. Falar de disputar o poder, de luta de classes, e não discutir esse assunto é igualmente criancice.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Candidaturas sem partido para termos partidos de verdade

 

Na realidade política brasileira atual é necessário permitir candidaturas sem partido, para organizar o sistema partidário. Nosso sistema partidário tem vários defeitos, que seriam resolvidos ou minimizados pela liberação de candidaturas sem partido: Os partidos são muito numerosos; Os partidos têm verdadeiros donos, uma oligarquia não eleita que os controla, monopolizando os canais de participação popular; Os partidos são só siglas, sem conteúdo certo, sem programa que seja levado a sério – em cada partido existem pessoas de ideologias não só diferentes, mas opostas, de forma que o eleitor não sabe no que está votando.

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Sucessos e erros das manifestações de 21 de setembro

 


A PEC da Impunidade foi aprovada na Câmara dos Deputados na terça-feira, dia 16, e já no dia 21 de setembro, domingo, as ruas foram tomadas por manifestantes. A indignação demonstrada nas redes sociais já indicava o sucesso das manifestações antes delas serem marcadas. A força das manifestações enterrou a PEC e a esperança de algumas dezenas de políticos de escaparem de investigações. Ao mesmo tempo, confirmou a condenação de Jair Bolsonaro e dos seus aliados envolvidos na tentativa de golpe e em outros crimes, porque os manifestantes, naturalmente, levaram junto a pauta contra a anistia, que sozinha não tivera grande sucesso em manifestações anteriores. As manifestações bolsonaristas ficaram ainda menores comparadas com as do dia 21 de setembro.

domingo, 17 de agosto de 2025

Os resultados antidemocráticos do voto obrigatório

 

No Brasil o voto é obrigatório desde a independência, em 1822. É curioso que a esquerda em sua maioria defenda tal obrigatoriedade como democrática. Seria algo politizador e uma garantia da participação popular. Os defensores de esquerda do voto obrigatório têm o hábito de iniciar suas argumentações com um discurso sobre a miséria do povo. A miséria e ignorância do povo justificariam obrigar esse mesmo povo a votar. A direita, que sempre dominou o parlamento, e sempre manteve o voto obrigatório, é que estaria enganada, ou pensando no bem do povo? Os senhores de escravos do Império, as elites políticas da República velha, Vargas, as duas ditaduras do século XX, todos mantiveram o voto obrigatório.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Trump acelera a queda do dólar

 


É verdade, como disse Trump, que a substituição do dólar como moeda de referência internacional equivaleria aos EUA perderem uma guerra mundial. Diga-se de passagem, foi a Segunda Guerra Mundial, quando os EUA tornaram-se uma superpotência econômica, que levou aos acordos de Bretton Woods, onde os países capitalistas acordaram usar o dólar como nova divisa internacional. Fixou-se então que os EUA poderiam emitir 35 dólares para cada onça que tivessem de ouro. Mas em 1973, tendo os EUA gasto muito ouro, e precisando gastar muito com a guerra no Vietnã, Washington rompeu essa parte dos acordos de Bretton Woods e o dólar passou a ser emitido a bel prazer do banco central estadunidense, o Federal Reserve. Desde então, os EUA se beneficiam de toda a emissão de dólares, e o mundo todo paga por sua desvalorização contínua. É uma forma de roubar o mundo todo. Devido a políticas econômicas liberais, os EUA se desindustrializaram nas últimas décadas, perdendo o verdadeiro lastro do dólar. Porque na verdade, embora os EUA não garantissem mais ter uma onça de ouro por cada 35 dólares, todo o planeta sabia que poderia conseguir qualquer mercadoria desejada por dólares, pois mesmo que algum país não aceitasse mais essa moeda, os próprios EUA teriam a mercadoria, graças à sua economia completa. Mas agora, os EUA importam muito mais, não só em dólares, mas na realidade, em mercadorias, do que exportam. O que sustenta esse luxo, e mantém o padrão de consumo dos estadunidenses elevado, é o dólar ser a moeda mundial. Portanto, realmente, se o dólar perder essa posição, a população dos EUA vai sofrer como a derrota de uma grande guerra, e as consequências são imprevisíveis.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Ucrânia: A guerra que ninguém quer encerrar


Sun Zi, no Bing Fa (conhecido no “ocidente” como Arte da Guerra) afirma que uma guerra prolongada leva qualquer estado à ruína. Todos os líderes de envergadura, e Putin é um deles, sabem disso. Contudo, nem Rússia, nem EUA, nem China, nem Ucrânia, nem mesmo a Europa ocidental e os países agora chamados de Sul Global parecem realmente desejar o fim dessa guerra.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

O surgimento do Verde e Amarelo na história do Brasil

 

Circula há muito tempo no Brasil a versão de que as cores verde e amarelo, da bandeira, seriam as cores de duas casas reais, os Orléans e os Bragança. Trata-se de uma tentativa de adivinhar o pensamento de dois gênios – Jean-Baptist Debret e José Bonifácio. Enquanto historiografia, é lamentável, uma explicação simplória, limitada ao pensamento de grandes personagens.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Cuba e as eleições diretas de chefes de governo

 

O mundo todo voltou suas atenções para as manifestações da direita de Cuba, que eram previsíveis por três fatores. Primeiro, Raul Castro se afastou da direção do Partido, e portanto é normal que a direita promovesse uma ofensiva para testar os novos dirigentes. Segundo, os EUA têm um novo presidente, que naturalmente está testando novas táticas contra Cuba. Terceiro, a crise econômica mundial, que está afetando vários países. Nos mesmos dias em que aconteceram manifestações em Cuba, sem mortes, na África do Sul aconteceram manifestações com mais de 70 mortes, e ninguém noticiou. É uma confissão do fracasso do capitalismo – em um país capitalista distúrbios, violência policial, mortes, são esperadas, não são notícia. Em Cuba meia dúzia de direitistas viram sensação.

domingo, 13 de setembro de 2020

Nobel da Paz para médicos cubanos que combatem à Covid-19 [assista ao vídeo]


Por Sturt Silva 

Diante da pandemia do novo coronavírus, Cuba nos ensina uma vez mais sobre o significado da palavra Solidariedade. Até o momento Cuba já enviou milhares médicos e especialistas em saúde para 38 países

quinta-feira, 21 de maio de 2020

A carreata dos escravos de ganho



Existiram no Brasil, e vou argumentar que ainda existem, os chamados escravos de ganho. Esses escravos trabalhavam por conta própria. Muitos não viviam com seus senhores, nem com nenhum senhor. Não tinham capataz, não eram vigiados pelos seus donos. A grande diferença entre eles e homens livres era que eles tinham que pagar o jornal, ou a diária, uma quantia fixa, calculada por dia (mas que podia ser paga por semana, mês etc. conforme combinado), para seus senhores. Por isso “de ganho”, na perspectiva dos senhores, como se estes tivessem ações rendendo juros.

segunda-feira, 23 de março de 2020

A grande crise de nosso tempo - apontamentos possíveis


Vivemos a grande crise de nosso tempo. Crise, em sua origem, significava um tempo de transformações, não simplesmente um tempo tumultuado. Um tempo de crise é um tempo de mudanças.
Ainda é muito cedo para conhecer bem os impactos dessa crise, mas é possível fazer apontamentos no sentido de iniciar o debate.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

A Internet e a luta de classes

Muitos militantes tradicionais reclamam dos “militantes de Internet”, que seriam militantes de categoria inferior. De fato, para resolver as coisas é necessário gente nas ruas. Contudo, apesar disso, a militância na Internet é disputa pela opinião pública, de forma que é militância, guardadas as devidas proporções, tanto quanto a dos jornalistas das folhas comunistas. E quem foram os principais militantes comunistas se não os jornalistas? Marx, Engels, Lênin, Gramsci, Mao, foram na prática eminentes jornalistas. Che e Fidel fizeram o mesmo com a Rádio que instalaram em Sierra Maestra. É no campo das ideias que se decidem as lutas políticas, porque mesmo os fuzis, em última instância, dependem do convencimento político de seus portadores.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Empregos e a liberdade dos trabalhadores


As transições econômicas para o socialismo feitas até agora, apesar de todos os seus sucessos, têm começado por um caminho errado, tanto do ponto de vista econômico quando do ponto de vista político. A primeira coisa que os trabalhadores precisam fazer assim que puderem é se libertarem, e com o domínio do Estado isso se faz com uma só medida, que é também do ponto de vista econômico uma necessidade – dar empregos com salários mínimos (podendo variar um pouco com especialização) para todos os que quiserem trabalhar! Não se trata de uma medida puramente emergencial, como já se fez no passado, nem muito menos se trata de “gerar empregos”. O que deve ser feito é empregar mesmo, diretamente, criando uma massa de milhões de empregados estatais (diferentes dos funcionários públicos concursados, que devem continuar existindo, e crescer em número e salários) com os quais o Estado poderá fazer o que for mais necessário.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A previdência social na era robótica

Vários países do mundo, incluindo Brasil, Rússia e França, têm enfrentado dificuldades políticas para elevarem a idade mínima para as aposentadorias. Parece existir um consenso, entre supostos especialistas, que usam uma linguagem que denota impressionante certeza, de que é indispensável dificultar as aposentadorias, sobretudo aumentando a idade mínima. Mas de fato entraram em uma rua sem saída e todas essas reformas previdenciárias absurdas terão que ser desfeitas em poucos anos. O mundo está entrando na era robótica, e as suas necessidades nos próximos anos serão o oposto do que promovem as atuais reformas previdenciárias que enfraquecem governos da Rússia de Putin à Nicarágua de Noriega.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Coxinhas e petistas - dois lados da mesma moeda

Os coxinhas* só querem a prisão de Lula, mesmo sabendo que o julgamento foi todo político, e não protestam contra a impunidade geral dos políticos de direita, quase todos ladrões, como aliás os coxinhas sabem muito bem.