Digam o que disserem os defensores da reeleição de parlamentares, seus efeitos reais são completamente antidemocráticos. Os partidos são dominados pelos parlamentares eternos. Grande parte da corrupção dos políticos brasileiros é forjada na busca da reeleição. Projetos irresponsáveis, impensados, mas populares durante o período do mandato, são propostos e aprovados por parlamentares em busca de reeleição.
Com os recursos imensos que um parlamentar tem no Brasil, com enorme verba de gabinete que permite contratar cerca de 20 militantes, e com tempo (vários mandatos) os parlamentares dominam os partidos. Se for um partido grande, um só deputado domina diretórios municipais e estaduais. Se for um partido pequeno, um só deputado o domina por completo. Ao dominar os partidos, os parlamentares fecham o canal obrigatório de participação ativa nas eleições – para ser candidato uma pessoa precisa ser indicada por um partido. Quando os partido são apropriados seja por quem for, esse canal se fecha. Essa apropriação também anula os partidos como organizações do povo.
Mesmo os parlamentares que não viram donos de partidos passam todo o mandato fazendo campanha eleitoral e arrecadando dinheiro para as próximas eleições. As emendas parlamentares ao orçamento da União, que agora estão no centro das atenções, são praticamente todas voltadas para a reeleição. Muitas delas são puro clientelismo, ou seja, compra de votos. Outro tipo de escândalo que atinge os políticos repetidamente são as “rachadinhas”, ou seja, roubar dinheiro da verba de gabinete simulando o pagamento de salários. A justificativa para as rachadinhas, ou seja, para pegar parte do salário de supostos assessores ou de assessores de verdade, é criar um fundo para a reeleição. Em nosso regime político é o dinheiro que elege, portanto os parlamentares correm atrás do dinheiro até se corromperem.
Corrupção não é assunto a ser tratado somente por moralistas. A queda na União Soviética foi perpetrada por corruptos, não por intelectuais dissidentes. Os corruptos têm sido os maiores inimigos das revoluções socialistas, seus traidores, os espiões para os estrangeiros, os executores de desvios liberais. Nos países capitalistas, a corrupção não é só normal, ela é a ligação entre os gestores do capital e os políticos, é instrumento de poder da burguesia. Portanto, comunistas devem propor medidas práticas contra a corrupção, que é a forma de desmascarar os moralistas burgueses que falam de corrupção o tempo todo mas não propõem nada.
A reeleição também torna os parlamentares presas fáceis de modismos. As modas não passam a toa. O que é bom, permanece. Mas o parlamentar, mesmo que tenha inteligência para entender que alguma coisa que está na moda não é de fato boa, se sente pressionado a seguir a moda, se estiver de olho na reeleição. O Brasil tem muitas leis mal feitas ou absurdas, que foram aprovadas somente porque os parlamentares corriam atrás da reeleição.
Além das questões práticas, a reeleição é antidemocrática na essência, uma vez que dificulta a participação de outras pessoas. Em Atenas o mandato para a Bulé, o parlamento dos 500, era de um ano, e cada cidadão só podia servir nesse posto por dois mandatos, exatamente para permitir que outros cidadãos também tivessem oportunidade de participar.
A pessoa ser política a vida toda também é antidemocrático pois essa pessoa se afasta da realidade do eleitorado. Fica isolada pelo meio político, que é um meio corrupto e completamente distante da realidade.
Por fim, a reeleição também é imoral. É imoral que ao invés de trabalhar como todo mundo uma pessoa tenha como profissão a política.
A reeleição parlamentar deve ser proibida.
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