Acabo de receber por e-mail um artigo de João Vicente Goulart afirmando que o objetivo estratégico dos EUA ao promoverem o golpe militar de 1964 era gerar uma guerra civil. A CIA previa a resistência armada dos apoiadores do presidênte João Goulart, que desenvadeiaria uma guerra que destruiria o Brasil. É a primeira vez que leio essa avaliação, e tenho que concordar que responde a uma questão que para mim não é solucionada por nenhuma outra leitura - Qual o objetivo do golpe?
terça-feira, 25 de maio de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
7 de Abril é o verdadeiro dia da independência política do Brasil
Há 179 anos, uma insurreição popular no Rio de Janeiro levou Pedro I a abdicar. Pela primeira vez brasileiros governaram o Brasil. Foi o término de um processo que se desenrrolava desde 1808 e espalhava suas raízes pelo século XVIII.
Entre 1700 e 1800, o Brasil teve sua população aumentada de 350.000 para 3.500.000 almas, contando nascimentos, mas sobretudo imigração, importação de escravos e aprisionamento de índios. A população da metrópole, que hoje chamamos de Portugal e na época era mais chamavado de Reino, ficou em 2.500.000, sendo ultrapassada pela de sua maior colônia. O tamanho das populações nos indica, e quanto mais no passado menos essa relação é distorcida, o tamanho das economias, uma vez que mesmo um escravo precisa comer, vestir, beber, morar, instrumentos de castigo etc.
Ao mesmo tempo em que a economia do Brasil passou a rivalizar em tamanho com a do Reino, e embora essa não fosse a regra em alguns casos a competir, surgiu o capitalismo como um força internacional que avassalou Portugal. Na Inglaterra, o surgimento das indústrias tanto gerou condições econômicas quanto a necessidade de uma armada mais e mais poderosa, que se tornou senhora dos sete mares. Por todos esses mares o Reino de Portugal tinha colônias, e se não fosse bom amigo da Inglaterra ficaria sem todas elas!
Entre as duas forças que esmagavam o império colonial português havia interesses em comum, pois para os capitalistas ingleses se fosse possível vender ao Brasil sem o intermédios dos portugueses, venderiam mais, pois os preços não precisariam incluir a parte do intermediário. Os consumidores brasileiros teriam esses produtos mais baratos, e os exportadores também esperavam vender mais para a Europa sem que as firmas portuguesas lucrassem sua parte. Portugal tinha que manter a aliança ingleza mesmo que a altos custos, e arcar também com os custos de esmagar as revoltas que aconteciam nas colônias, tendo estas se tornado mais ameaçadoras no final do século XVIII.
Em 1807, a invasão de Napoleão Bonaparte acelerou e acrescentou um fator peculiar ao processo, ao obrigar Dom João VI a atravessar o oceano com toda a Corte para o Brasil. Em 1808, ao chegar em Salvador, abriu os portos brasileiros, oficializando o fim do monopólio do Reino sobre o comércio brasileiro, que fora de fato quebrado por Napoleão. Na prática, o Brasil já não era uma colônia, pois a metrópole estava ocupada por tropas francesas. Contudo, ainda não tinha independência política nenhuma, pois continuava governada pelo mesmo Rei, agora morando no Rio de Janeiro e não em Lisboa.
sábado, 29 de agosto de 2009
A queda dos Soviets e o fim da URSS

Todo livro didático informa que em 1917, na Rússia, em Fevereiro uma revolução colocou fim aos 300 anos da monarquia dos Romanov, instaurando uma República, e em Outubro uma segunda revolução, orientada por um dos dois Partidos Operários Social Democratas da Rússia, o chamado Bolchevique, entregou todo o poder aos Soviets. Daí o nome Revolução Soviética. Em alguns livros é possível saber que em russo soviet é conselho, e que essa forma específica de Conselho, originalmente reunindo os operários de todas as empresas de uma cidade, e posteriormente incorporando estudantes, camponeses, soldados e marinheiros (que acabariam formando seus próprios Conselhos), surgiu em 1905, em uma pequena cidade russa quase equidistante de Petrogrado e Moscou (Ivanovo-Vosnesensk). Mais tardar em 1907, esses primeiros Soviets foram fechados pela monarquia, e voltaram a se reunir logo que esta caiu em Fevereiro de 1917. Já em Abril, Lênin, principal teórico bolchevique, defendeu que o poder dos Soviets seria um poder do povo trabalhador, e a mais ampla e eficiente democracia que a Rússia já tivera, portanto equivalente ao que Marx chamou de Ditadura do Proletariado, e também o equivalente russo da Comuna de Paris, embora o funcionamento desses dois espaços, um Soviet russo e a Comuna parisiense de 1971, não fosse exatamente igual. Essa ideia, adotada pelo Partido Bolchevique, atraiu para essa organização forças suficientes para o levante de Outubro.
Mas depois disso, o que aconteceu com os Soviets? Existiram até 1989? Foram dominados ou substituídos pelo Partido Comunista? Qual a relação entre os Soviets e as lutas políticas, as reformas econômicas e a ditadura?
Nos primeiros dez anos de poder soviético, 12,5 milhões de trabalhadores chegaram a participar como deputados aos Soviets. De 1924 a 1934, o número de deputados multiplicou-se por doze. A participação era efetiva e vigilante, funcionando a deposição de deputados. Nos Soviets urbanos, entre 1931 a 1934, só na Rússia, foram derrubados 18% dos deputados. A participação popular, desde a revolução, cresceu espetacularmente. No biênio 24-25 o número de eleitores foi de 37 milhões, sendo que metade dos mesmos participou das reuniões preparatórias. Passados dez anos, no biênio 34-35, o número de eleitores já era de 77,4 milhões, sendo que 85% participaram das reuniões preparatórias, que eram debates anteriores à eleição. A relação do Partido com os Soviets se guiava pela proposta por Lênin - “O Partido deve levar à prática suas decisões pelo conduto dos soviets e nos marcos da Constituição soviética. O partido se esforça para dirigir a atividade dos soviets e não por suplantá-los.” O desvio dessa política em 1929 foi fatal!
segunda-feira, 16 de março de 2009
Rússia: a possibilidade da Segunda Revolução Soviética
58 % dos russos defendem uma economia planejada em oposição à economia de mercado. Era de se esperar esse quadro, pois o estudo de qualquer sociedade atual, ou seja, o estudo da história do século XX, demonstra que a economia de mercado está superada, pois já funciona muito mal, mesmo para seus próprios critérios tortos, cujo principal exemplo são os índices de crescimento. Como o povo russo experimentou nas décadas de 30, 40 e 50 socializar (mesmo que somente a nível macro econômico) a economia, só pode estar apavorado com as mazelas de uma economia de mercado – insegurança constante; desemprego; miséria crescente; mendigos; crianças de rua; criminalidade crescente; corrupção generalizada.
Mesmo em comparação com a economia planificada sabotada e parasitada das décadas de 60, 70 e 80, quando foram dados grandes passos em direção ao capitalismo (maiores até que os dados por Yeltsin a partir de 1990), a economia de mercado é um pesadelo. Eles tinham filas enormes (parte da sabotagem governamental para abrir caminho ao capitalismo), mas isso significa que consumiam, pois se não, não estariam nas filas. E claro, abriu-se a cortina do mundo ocidental, e ficou claro que toda ostentação era um canto de sereia. A crise econômica mundial também não deixará os russos mais felizes com o capitalismo!
sábado, 14 de fevereiro de 2009
O que separa a Venezuela do socialismo ?
A ) A polêmica com os trotskistas
Afirmam os trotskistas que o socialismo é impossível em um país só, ou seja, que a Venezuela só poderá ser socialista no dia em que todo o mundo o for. Discordamos por razões teóricas e práticas.
Do ponto de vista teórico, devemos concordar em que a sociedade completamente sem classes e sem Estado, ou seja, livre, só poderá existir quando já não houver nenhum Estado no planeta. Isso é óbvio, pois havendo um Estado nas vizinhanças nenhuma sociedade pode abrir mão de também ter um Estado, sob pena de ser militarmente destroçada. Mas a esse estágio, nós marxistas chamamos de sociedade comunista avançada, algo que ainda não podemos alcançar com a atual tecnologia, nem a partir das atuais relações sociais.
O que chamamos de socialismo é outra coisa! N'O Estado e a Revolução, escrito em 1917, Lênin diferencia bem uma coisa da outra, pois era necessário explicar ao povo que a revolução que propunham os bolcheviques não conseguiria extinguir as classes e o Estado, a não ser depois de toda uma época de transição. Esse período de transição precisa incluir a queda do capitalismo no resto do mundo. O que almejavam praticamente os bolcheviques era o poder de uma classe, o proletariado, em aliança com outra, o campesinato, contra o capital e os restos da nobreza. Isso significa não só que as classes não estavam extintas, mas também que os operários e camponeses aliados estariam organizados em um Estado, ou seja, de forma a vencer as classes adversárias e mantê-las vencidas!
Ora, isso já não é o capitalismo, embora não seja também o comunismo avançado. É uma primeira fase de transição, que nós marxistas passamos a denominar como socialismo, para diferenciar do comunismo e do capitalismo. É isso o que pode existir em um país só, e aqui entramos na questão prática.
As revoluções proletárias têm acontecido isoladas nesse ou naquele país, pois a velocidade de amadurecimento político dos povos é diferente. Diante dessa realidade falar de impossibilidade do socialismo em um país só é fazer o jogo do capital, desanimar os lutadores do povo, ajudar o capitalismo a superar suas crises políticas – é traição!
B ) A polêmica com os economicistas
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Permita-nos discordar
O blog do PCB de Campinas publicou no dia 28 de Janeiro de 2009 um texto do líder da revolução norte coreana, Kim il Sung, sobre a queda da URSS. As conclusões de Kim il Sung não são diferentes das que podemos encontrar em João Amazonas e em diversos outros pensadores comunistas, inclusive russos, como o “camarada” citado pelo dirigente coreano – teríamos sido derrotados na luta ideológica, e por displicência.
Respondemos a essa interessante análise aqui por que o blog do PCB de Campinas não aceita comentários:
Ora, não é possível negar que depois da morte de Stálin, em 1953, o PCUS deixou a desejar no campo na luta ideológica. Também não é possível negar que Krushov iniciou na URSS a contra-revolução que acabaria restaurando o capitalismo. Mas exatamente por isso somos obrigados a discordar do saudoso João Amazonas, de Kim il Sung e de quantos mais se deixem enganar por essa análise simplista.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Raízes da Contra Revolução Soviética
Escrevi esse texto sobre a URSS como material didático para o Pré-Vestibular da Escola Operária. Acho necessário ampliar seu recorte cronológico ao menos até 1990, assim como inserir notas de roda-pé com citações. Mas como ainda não tive tempo de fazer isso, ofereço-o como está para o estudo dos camaradas:
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Reflexões sobre cinco anos de política estudantil
Produzi esse texto logo que saí da UFMG, e é por isso que resolvi não revisá-lo. As experiências dos últimos anos poderiam ofuscar ou apagar as experiências que então estavam mais vivas em minha memória. Também a linguagem seria alterada com essa revisão, afastando o texto dos estudantes.
Como se nota na introdução, eu era então militante do PCdoB (hoje sou do PCB). Mais exatamente, eu fui da direção estadual da UJS mineira entre 1994 e 1998, o que me permitia ter uma visão geral do movimento estudantil no país, o suficiênte para perceber seus problemas comuns. Foi essa experiência também que me permitiu observar de perto os processos de degeneração de uma organização de esquerda, e as ligações desse processo com o aparelhamento das organizações estudantis.
Esse texto tem agradado aos militantes do movimento estudantil:
Reflexões sobre 5 anos de política estudantil.
Reflexões sobre 5 anos de política estudantil.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Por onde começar ?
Em 1902, Vladmir Ilich Ulianov (Lênin) levantou e respondeu essa pergunta, que obviamente se refere à revolução. Até hoje é um texto indispensável, e que dispensado pela esquerda brasileira e mundial (como a maioria do que Lênin escreveu) está fazendo enorme falta.
A segunda metade das 7 páginas desse artigo tratam da importância das comunicações para uma organização revolucionária. Nas primeiras páginas, Ilich tratou da própria importância da existência de uma organização revolucionária e de um assunto que agora voltou à moda - o terrorismo.
Donwload em :
http://rapidshare.com/files/156320943/Por_onde_come_ar_em_portugues.pdf.html .
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